O sucesso no futebol moderno depende de uma equipa multidisciplinar, e é nela que deve ser inserido o preparador físico.
Longe vai o tempo em que este profissional só dava aquecimento ou corria pelos campos a fora com um cronometro e era o maior pesadelo do jogador de futebol. Hoje, o preparador físico é um agente multidisciplinar, que deverá ter um papel critico na prescrição de exercício, comunicando e intervindo num processo a que designo “tacticopsicofisiologico”. Deverá auxiliar a equipa técnica na tomada de decisão, sustentando as suas intervenções na evidência, na análise de dados, na experiência prática e, acima de tudo, na adequação ao contexto em que está inserido.
Toda a gente diz que o futebol de hoje é mais físico, mas o que é isto?
O meu olhômetro diz-me que o futebol deixou ter jogadores para ter atletas…
O atleta moderno apresenta um cuidado com o seu corpo, horas de descanso, alimentação e qualidade de treino. A indústria do futebol está a tornar o jogo mais exigente, com calendários comprimidos, jogos a cada três ou quatro dias e uma competitividade que não perdoa a erros ou “ses”.
Neste cenário, o papel do preparador físico é numa peça estratégica incontornável.
Na minha situação atual, essa realidade é evidente. O uso de GPS, permite-nos monitorizar em tempo real enumeras variáveis de cada atleta, inferindo sobre o esforço físico no mesmo em cada execução, exercício ou treino, e comparado aquilo que é “a sua melhor versão”. Este conhecimento interligado com indicadores internos, RPE e métricas de bem-estar, conseguimos obter uma fotografia mais clara do estado de prontidão psicofisiológica do atleta.
Essa informação acaba por orientar decisões que vão muito além do campo: o planeamento da sessão seguinte, a gestão individual dos atletas, os ajustes ao microciclo ou até a definição de estratégias de recuperação individualizadas.
Contudo, recolher dados não é suficiente… essa informação deverá ser tratada por um especialista, que interpretada e comunicada, com vista a alteração do processo. E nesta fase que ferramentas como o Excel, Power Bi se tornam o meu melhor amigo sendo e essenciais no meu trabalho. O cruzamento de dados de carga interna e externa, a aplicação de conceito matemáticos, e a construção de dashboard’s de acompanhamento são essenciais para transformar números em narrativas úteis para tomar decisões.
A integração de tecnologia é essencial para responder à perguntas complexas como: Como preparar o meu atleta na semana, para render no caos do jogo, sem o menor risco de lesão possível? A resposta exige colaboração entre os diferentes agentes de mudança (o treinador principal, departamento médico, etc.) para garantir que os atletas são expostos a estímulos suficientes para não ter surpresas.
Por outro lado, o departamento de performance, deve caracterizar o modelo de jogo da equipa adotado, para construir métricas posicionais que permitam manter standard mínimos de performance.
É neste contexto que a formação contínua assume um papel absolutamente fundamental.
A exigência profissional multidisciplinar associada a evolução diária da tecnológica, faz com que o profissional do treino se tenha de desenvolver a um ritmo alucinante e que invista diariamente em si. Não basta ter experiências acumuladas, é necessário ter atualizados quadros conceptuais com quem interpretamos essa experiência.
Porque, se continuarmos a fazer tudo da mesma forma, dificilmente poderemos esperar resultados diferentes.
A mudança nem sempre é confortável. Muitas vezes obriga-nos a questionar convicções antigas, a sair da nossa zona de conforto e a aceitar que aquilo que funcionava ontem pode já não ser suficiente hoje. Mas é precisamente esse processo que sustenta a evolução.
No meu caso, a formação contínua e essencial para o meu desenvolvimento profissional em dois eixos: o conhecimento académico, que me permite analisar linhas de tendência; e o conhecimento aplicado que me permite transportar esse conhecimento para o contexto.
Empresas como a Team Performance vem combater essas necessidades, e permitir que os profissionais do treino de desenvolvam diariamente. Com formações focadas em Strength & Conditioning, aplicação prática de GPS ou a preparaçao física em contextos específicos são oportunidades de evolução reais para quem trabalha no terreno.
O objetivo não se trata de acumular créditos no IPDJ por obrigação, mas sim manter uma postura de humildade intelectual, e de reconhecimento de que há algo mais que podemos aprender todos os dias.
O preparador físico do futuro é no fundo o profissional em mutação e com uma sede enorme de conhecimento e de bagagem de experiências que lhe permitam ao final do dia saber que o seu trabalho melhorou 1% todos os dias.
Quem promove essa evolução com formação sólida e atualizada está melhor preparador para os desafios diários do contexto e contribuir para o sucesso das equipas que integra.
